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Fonte regulada

Este é um circuito regulador de tensão, linear, de 3 a 13 V, com proteção de sobrecorrente para 1 A. Pode ser adaptado para outros limites, basta refazer os cálculos dos componentes.

É um circuito bem didático, sendo que exitem CIs mais adequados para se obter uma boa regulação de tensão, de forma bem compacta e eficiente.

Esquema

Funcionamento

Diagrama de Blocos

Entrada de tensão

A entrada deve ser suprida por uma fonte comum de 15 V, com capacidade para 1 A. O circuito foi calculado para admitir variações entre 9 e 20 V para essa tensão de entrada, com as devidas limitações que isso impõe:

  • Para 9 V, a máxima tensão de saída regulada fica em torno de 8,5 V;
  • Para 20 V, se a tensão de saída for muito baixa, a capacidade de corrente deve ser limitada, pois a queda de tensão no transistor de saída aumenta muito, provocando grande dissipação de calor sobre ele para correntes maiores; como não existe proteção contra sobreaquecimento, pode haver queima de componentes neste caso.

Um LED verde (D6) indica energização do circuito, com a presença de tensão de entrada.

Saída de tensão

A saída de tensão é regulada através de um potenciômetro, indicado como R2 no circuito. Independente da tensão de entrada, a excursão dessa tensão deve ficar entre 3 e 13 V.

Proteção contra sobrecorrente

Um trim-pot (R14) ajusta a referência de corrente máxima que o circuito deve suportar. Se a corrente de saída atinge o valor ajustado, o circuito corta a tensão de saída por 5 segundos aproximadamente. Ao final desse tempo, novo religamento é tentado, se o problema persistir, mais 5 segundos de corte são contados, e assim indefinidamente, até que não haja mais sobrecarga na saída.

Um LED vermelho (D5) indica a persistência de defeito na saída.

Limitações

  • Nenhuma proteção contra sobreaquecimento;
  • Nenhuma compensação contra variação de temperatura;
  • Incerteza quanto à máxima corrente de curtocircuito passante antes da proteção atuar;

Protótipo

Um protótipo foi montado e está em uso. A seguir seguem alguns resultados de testes feito com ele.

Placa de protótipo, lado dos componentes
Placa de protótipo, lado da solda Placa de protótipo, vista superior

Regulação da tensão

Para avaliar a regulação da tensão de saída, usou-se como carga um pequeno motor DC de 12 V, freiando-se seu eixo o suficiente para elevar a corrente a quase 1 A, limite de saída do circuito. O potenciômetro de tensão de saída foi ajustado para uma tensão em torno de 10 V, para garantir que o circuito se mantivesse na região de regulação mesmo com o afundamento de tensão de entrada, pois a fonte usada não tinha muita potência.

Tensão de entrada Tensão de saída
Figura 1 Figura 2

Nas duas figuras, o canal 2 (em azul) mostra a corrente de saída, que é obtida da tensão sobre o resistor R12 (0,5 ohm). Observa-se um valor de corrente em torno de 700 mA (entre 600 e 800 mA).

Na figura 1, o canal 1 (em laranja) mostra a componente alternada da tensão de entrada. E na figura 2, o canal 1 mostra a componente CA de saída. Comparando as duas formas de onda, destaca-se a diferença entre suas amplitudes CA:

  • Tensão pico a pico de entrada: ~ 140 mV
  • Tensão pico a pico de saída: ~ 6 mV

A ondulação1) da tensão de entrada já é bastante pequena, pois foi usada uma fonte chaveada, que já é de certa forma regulada. Mesmo assim, pode-se notar considerável melhoria que a regulação linear oferece.

Atuação contra sobrecarga

Uma resistência de 5 ohms (de chuveiro elétrico) foi conectada à saída e aumentou-se a tensão de saída até que a proteção atuasse, o que aconteceu para uma tensão de 5 V, comprovando a correção do ajuste para o limite de 1 A.

Mantendo-se o circuito sob a condição de sobrecarga, entra-se num ciclo intermitente de tentativas de religamento, onde a tensão no capacitor varia como uma forma de onda dente de serra. Isso pode ser visto na figura 3, abaixo.

Temporização de religamento
Figura 3

No canal 2 está a tensão de entrada, em torno de 13,6 V.

No canal 1 está a tensão sobre o capacitor responsável pela contagem de tempo entre as tentativas de religamento do circuito de proteção. No desenho traçado pelo osciloscópio, observa-se que o sinal excursiona entre os limites de 2 e 8 V, com um período de 11,4 s, aproximadamente.

Na figura 4 a seguir, verifica-se o tempo em que a saída permanece sob sobrecarga, no momento em que se tenta religá-la.

Recarga do temporizador
Figura 4

No canal 2 está a tensão de saída do circuito, onde aparece um breve pulso de tensão (até 8,4 V), com rápido decaimento após alguns milissegundos (2,6 ms).

No canal 1 está a tensão no capacitor de temporização, da mesma forma que para a figura 3. Só que agora pode-se ver o tempo de subida da tensão, que se comporta como uma rampa, indicando corrente constante fluindo por ele. Essa corrente deve estar limitada então pelo transistor Q5 e os parâmtros que a definem são a corrente de base de Q5 e seu ganho direto.

Pode-se até mesmo calcular a corrente de carga de Q5 através da inclinação da reta mostrada na figura 4:

I = C * dV / dt -->
I ~= 100e6 * 6 / 2,6e-3 -->
I ~= 230 mA

Atuação contra curto-circuito

Colocando-se a saída sob curtocircuito, verifica-se então qual a máxima corrente limitada pelo circuito e por quanto tempo esta condição permanece.

Máxima corrente de curto
Figura 5

No canal 1 está a tensão no capacitor temporizador, assim como nas figuras 3 e 4.

No canal 2 está a tensão medida no resistor R12, que transduz a corrente de saída (curtocircuito). Observa-se que o tempo em que o curtocircuito permanece fica em torno de 2,5 ms. E a amplitude máxima atingida está perto de 2,7 A, tendendo a se estabilizar em 2,1 A.

Esta corrente é limitada pelas máximas correntes de base dos transistores de saída Q2 e Q3, junto com seus ganhos diretos. Ou então, ela pode estar definida pelas características da fonte que alimenta o circuito. Ainda falta se fazer testes com uma fonte que disponibilize potência maior, para se verificar qual das duas hipóteses se confirma.

Vale observar também que a corrente mostrada (e vista pelo circuito de proteção) não considera a parcela descarregada diretamente pelo capacitor de saída C2.

1) ondulação = ripple, do inglês
Esta página foi modificada pela última vez em: 2009-12-05 08:30
   
 
 

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